O setor financeiro global enfrenta desafios históricos como burocracia excessiva, custos elevados e falta de transparência. A chegada do blockchain aos empréstimos promete romper esses entraves e construir um novo modelo de crédito.
Com o advento de plataformas digitais e o uso de registro distribuído, observa-se uma mudança no patamar de eficiência e inclusão. Neste artigo, exploramos dados, tendências e exemplos práticos para entender como o blockchain está transformando o mercado de crédito.
As fintechs brasileiras têm se destacado por sua capacidade de oferecer crédito de forma mais ágil e acessível. Em 2024, o volume concedido atingiu R$ 35,5 bilhões, um crescimento de 68% em relação ao ano anterior. A base de clientes superou 67,5 milhões de pessoas físicas, um salto de 26%.
Na essência, o blockchain atua como um registro descentralizado que garante transparência e imutabilidade dos dados. Empréstimos baseados em blockchain utilizam smart contracts para automatizar etapas desde a análise de crédito até a liberação dos valores.
As finanças descentralizadas (DeFi) conectam mutuários e investidores diretamente, eliminando intermediários bancários. Já as soluções centralizadas (CeFi) combinam a robustez institucional com a agilidade dos registros distribuídos.
O uso do blockchain em empréstimos traz benefícios significativos para credores e tomadores. Entre eles:
Apesar das vantagens, alguns obstáculos ainda precisam ser superados. A regulação no Brasil evolui de forma segmentada, distinguindo fintechs por categoria, mas ainda se adapta às inovações descentralizadas.
A volatilidade dos criptoativos exige mecanismos de atualização contínua das garantias, enquanto a segurança digital demanda auditorias constantes e protocolos para mitigar falhas em smart contracts.
O mercado se prepara para uma convergência entre DeFi e CeFi, criando soluções híbridas entre DeFi e CeFi e integrando serviços tradicionais com registros distribuídos. Open Finance e Pix também se consolidam como pilares de conectividade entre instituições.
Estimativas apontam crescimento anual de 19,4% no setor de fintechs até 2030, impulsionado por IA e blockchain. APIs de Credit as a Service (CaaS) serão cada vez mais comuns, permitindo que empresas ofereçam crédito sob demanda em suas próprias plataformas.
CloQ destaca-se ao conceder nanoempréstimos para microempreendedores sem conta bancária, usando IA para construir score de risco. ViaBTC, por sua vez, é referência em criptoempréstimos com garantias múltiplas e taxas fixas competitivas.
Em 2025, bancos suíços realizaram o primeiro pagamento corporativo em blockchain público, sinalizando a institucionalização da tecnologia em ambientes de alta confiabilidade.
O blockchain já não é apenas uma promessa, mas uma realidade que redefine o crédito ao oferecer novos modelos de avaliação de risco e democratizar o acesso ao crédito. Para avançar, é crucial a colaboração entre reguladores, empresas e sociedade civil, promovendo parcerias público-privadas e aperfeiçoando a literacia financeira.
No horizonte, vislumbra-se um sistema de crédito global, transparente e descentralizado, onde ativos digitais, contratos inteligentes e inovação caminham juntos para atender tanto grandes corporações quanto pequenos empreendedores.
Referências