Em um cenário econômico desafiador, manter o equilíbrio financeiro exige atenção e disciplina. Com dados recordes de endividamento, aprender a planejar e controlar os empréstimos pode ser a diferença entre estabilidade e crise.
O superendividamento ocorre quando uma pessoa ou família enfrenta a incapacidade de pagar todas as dívidas e ainda arcar com despesas básicas, mesmo após cortes no orçamento.
É importante distinguir conceitos:
Em outubro de 2025, 79,5% das famílias endividadas atingiu o maior índice desde 2010, refletindo desafios econômicos e sociais. Dados de julho de 2025 mostram que 48,6% das famílias possuíam algum tipo de dívida ativa.
O índice de inadimplência chegou a 29,5% em maio de 2025, com 12,5% dos inadimplentes afirmando não ter condições de quitar os débitos em atraso.
O grau de comprometimento de renda médio foi de 27,9% em julho de 2025, enquanto o total de dívidas em atraso acima de 90 dias somou R$ 482 bilhões, afetando 78,2 milhões de pessoas negativadas.
O superendividamento cresce quando o crédito é mal aproveitado. Entre as causas mais frequentes, destacam-se:
Identificar precocemente os sinais de alerta pode evitar que as dívidas se tornem uma bola de neve.
Sinais vermelhos incluem:
As consequências são severas: restrição de crédito, perda de patrimônio, desgaste emocional com ansiedade e conflitos familiares, além de dificuldade de acesso a bens e serviços básicos.
Adotar hábitos saudáveis de gestão financeira é a melhor defesa contra o superendividamento. Confira dicas práticas:
Planejamento e Educação Financeira
Elaborar um orçamento realista e detalhado, registrando cada receita e despesa, garante visibilidade completa dos gastos.
Antes de contratar qualquer crédito, avalie a necessidade do empréstimo, comparando taxas, prazos e tarifas para entender o Custo Efetivo Total (CET) e evitar surpresas futuras.
Criar e manter uma reserva de emergência mensalmente é fundamental: uma poupança consiste em reservas de emergência para imprevistos financeiros sem recorrer ao crédito.
Controle e Renegociação de Dívidas
Priorize o pagamento das dívidas com juros mais altos e aquelas que comprometem bens essenciais, como o cartão de crédito e o cheque especial. Buscar renegociação pode reduzir taxas e alongar prazos.
Evite assumir dívidas para terceiros e não acumule parcelas de diferentes fontes: a centralização facilita o acompanhamento.
Práticas Cotidianas
Elimine gastos supérfluos e compras por impulso, envolvendo a família na discussão orçamentária para que todos colaborem com a meta de equilíbrio.
Quando for inevitável recorrer a um empréstimo, prefira prazos curtos, mesmo que o valor mensal seja um pouco maior, pois isso reduz o custo total dos juros.
Se as dívidas estiverem altas, não hesite em buscar apoio: órgãos de defesa do consumidor, Procon e entidades de educação financeira podem oferecer orientação e alternativas de repactuação.
A Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, fortaleceu os direitos do devedor, exigindo mais transparência e permitindo renegociações judiciais e extrajudiciais.
O consumidor tem direito a informações claras sobre todas as condições do contrato: taxas, CET, prazos e valor total a pagar. Em casos de superendividamento, a conciliação pode revisar cláusulas abusivas e limitar juros.
Evitar o superendividamento exige disciplina, conhecimento e apoio. Ao planejar, controlar e renegociar suas dívidas de forma consciente, você preserva seu bem-estar financeiro e emocional.
Empenhe-se em construir hábitos financeiros saudáveis, invista em educação financeira e mantenha sempre uma reserva para emergências. Assim, você estará protegido contra as armadilhas do crédito e pronto para conquistar seus objetivos sem comprometer a sua estabilidade.
Referências