A transformação das cidades rumo a um futuro mais resiliente e sustentável depende de ações concretas e de longo prazo. A infraestrutura verde surge como resposta inovadora para os desafios climáticos e sociais que enfrentamos, promovendo benefícios ambientais, econômicos e de bem-estar.
A infraestrutura verde é definida como uma rede de áreas com ecossistemas preservados e soluções construídas que integram vegetação, solo permeável e processos naturais no ambiente urbano. Ela substitui materiais impermeáveis por sistemas que fornecem serviços ambientais essenciais, como retenção de água, regulação térmica e sequestro de carbono. Diferente da infraestrutura cinza tradicional, que prioriza concreto e metal, a infraestrutura verde valoriza a natureza e a permeabilidade do solo.
Entre as principais soluções baseadas na natureza estão biovaletas, jardins de chuva, telhados e paredes verdes, pavimentos permeáveis, parques para retenção de água e corredores ecológicos que conectam fragmentos de habitat.
As iniciativas de infraestrutura verde podem ser divididas em categorias complementares:
Em São Paulo, por exemplo, parques lineares como o Minhocão e áreas de contenção criaram ciclos naturais de infiltração que reduziram o risco de enchentes em bairros vulneráveis.
A adoção de infraestrutura verde gera vantagens múltiplas:
Além disso, esses projetos geram empregos especializados na implantação e na manutenção, fomentando a economia verde e local.
No Brasil, a legislação tem avançado para impulsionar investimentos em infraestrutura verde. As leis 12.431/2011 e 14.801/2024 criaram debêntures de infraestrutura incentivada, essenciais para captar recursos financeiros. A Taxonomia Sustentável Brasileira, por sua vez, assegura critérios claros para classificar projetos realmente verdes.
O Governo Federal, por meio do Plano de Transformação Ecológica, estabeleceu o eixo 6, que prioriza infraestrutura resiliente para conter encostas, melhorar drenagem urbana e promover transporte de baixo carbono. Essa integração de políticas urbanísticas e ambientais evidencia a sinergia entre vegetação urbana e recursos hídricos.
Os números reforçam o impacto positivo desses investimentos. Somente em São Paulo, foram aplicados R$ 3,5 bilhões em projetos de infraestrutura verde, gerando quase 20 mil empregos diretos e indiretos.
Esses investimentos contribuíram para a redução em 15% dos casos de alagamentos e para a melhoria de 10% na qualidade do ar medido em áreas centrais.
Apesar dos avanços, ainda existem barreiras significativas: dificuldade de financiamento em larga escala, falta de capacitação técnica e resistência cultural a métodos não convencionais. É fundamental desenvolver metodologias de implantação e promover a conscientização da sociedade e dos gestores públicos.
O futuro aponta para soluções mais integradas e inteligentes, com infraestrutura verde multifuncional e adaptável ao clima futuro. Cidades que adotarem sistemas socioecológicos resilientes estarão mais preparadas para enfrentar extremos climáticos e assegurar a segurança hídrica.
No cenário global, grandes metrópoles como Copenhague, Singapura e Vancouver são referências em infraestrutura verde, com programas robustos de telhados verdes, parques lineares e redes de corredores ecológicos. A literatura acadêmica brasileira registra mais de 1.100 publicações sobre o tema entre 1999 e 2018, refletindo seu caráter interdisciplinar e estratégico.
Esses exemplos mostram que o investimento em infraestrutura verde deve ser encarado como política de estado, transcendendo governos e ciclos eleitorais.
Investir em infraestrutura verde é investir na qualidade de vida das gerações presentes e futuras. Requer engajamento de todos os setores: governo, iniciativa privada e sociedade civil. Ao adotar essas práticas, transformamos o espaço urbano em um ambiente mais saudável, resiliente e inclusivo.
O momento de ação é agora. Cada árvore plantada, cada parque criado e cada debênture emitida representam um passo rumo a um futuro sustentável e resiliente. O legado que deixaremos dependerá das escolhas que fazemos hoje.
Referências