Em um cenário econômico marcado por desafios constantes, entender como a inflação influencia as taxas de empréstimo é fundamental para consumidores e empresas. Hoje, a elevação dos preços e as decisões do Banco Central reverberam diretamente no bolso de cada cidadão e na capacidade de investimento das organizações.
Inflação é o fenômeno caracterizado pelo aumento generalizado e sustentado dos preços de bens e serviços em um período. Já as taxas de empréstimo representam o custo cobrado pelos bancos para liberar crédito, fortemente ancoradas na taxa Selic, principal instrumento de política monetária no Brasil.
Quando a inflação acelera, o Banco Central eleva a Selic para conter o consumo excessivo. Essa elevação, por sua vez, torna o crédito mais caro, reduzindo despesas com empréstimos e freando a demanda agregada.
Para 2025, a inflação está projetada entre 4,46% e 4,56%, acima da meta de 3%. A Selic, mantida em 15% ao ano, alcançou o maior nível desde 2006. Com esse patamar elevado, o propósito é ancorar expectativas e controlar a alta de preços.
O Produto Interno Bruto (PIB) prevê crescimento de apenas 2,16% em 2025, reflexo da combinação de juros altos e consumo contido. Em resposta, o volume de empréstimos bancários caiu desde abril de 2025.
O efeito da Selic sobre as taxas de empréstimo ocorre de forma gradual. Em média, um ponto percentual a mais na Selic eleva as taxas médias de crédito em cerca de 0,7 ponto percentual após quatro meses, devido à forte presença de crédito direcionado pelo governo, menos sensível ao juro básico.
Consequentemente, operações de longo prazo, como financiamentos imobiliários e automotivos, sofrem maior pressão. Quanto maior a Selic, menor a disposição de bancos em oferecer condições favoráveis.
O aperto nas taxas de empréstimo gera efeitos diversos:
O Brasil apresenta spreads bancários elevados, amplificando o impacto da Selic sobre o crédito. Enquanto cerca de 40% do crédito é governamental, o restante depende diretamente da política monetária. Essa estrutura faz com que o custo do crédito bancário continue alto mesmo quando há espaço para cortes graduais da Selic.
Inflação e juros altos afetam com maior intensidade quem tem menos recursos financeiros. As famílias de baixa renda dedicam parcela maior do orçamento aos bens essenciais, sem espaço para poupança ou investimentos, o que fortalece a persistência da pobreza.
Empresas de pequeno porte, sem acesso a garantias robustas, enfrentam mais restrições, o que reforça a desigualdade no acesso ao crédito e limita suas chances de crescimento frente a grandes conglomerados.
Mesmo em um ambiente desafiador, há caminhos para aliviar o impacto:
Caso seja empresário, diversifique as fontes de capital, considerando emissão de títulos privados ou parcerias estratégicas que alavanquem recursos fora do sistema bancário tradicional.
O controle da hiperinflação nos anos 1990 trouxe estabilidade, mas cada crise global exige respostas rápidas e assertivas. A pandemia de 2020 e choques de oferta reforçaram a necessidade de um sistema financeiro resiliente e ágil, capaz de oferecer alternativas viáveis em períodos de juros elevados.
Avançar requer esforços coordenados entre governo, bancos e sociedade civil, com foco em inovação, educação financeira e políticas que promovam maiordiversificação de instrumentos de crédito. Assim, será possível construir um ambiente mais equilibrado, onde inflação controlada e crédito acessível caminhem lado a lado, fomentando crescimento sustentável e inclusão.
Referências